
Na quarta-feira de cinzas, quando se abre o tempo da Quaresma em preparação à celebração da Páscoa do Senhor, a Igreja no Brasil convida, não só aos católicos, mas a todas as pessoas de boa vontade a se engajarem na já tradicional Campanha da Fraternidade. Nesse ano o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, tendo como lema “Cultivar e guardar a Criação”. Para nós que vivemos às margens do Rio Paraíba do Sul, nas comemorações dos 300 anos em que foi nele encontrada a imagem de Nossa Senhora Aparecida, mais um eco-apelo nesse tempo quaresmal: salvar o Paraíba e defender a dignidade da mulher negra e pobre.
Fomentar o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações com a criação que Deus nos deu para cultiva-la e guarda-la, são os objetivos gerais dessa campanha. Cuidar dos biomas brasileiros além de ser uma ação de fé e cidadania é uma ação de comprometimento com Deus, como nos propõe o Papa Francisco na encíclica Laudato Si. Dai, algumas propostas da referida campanha, como ação concreta para o cuidado com os biomas brasileiros:
1. Incentivar a criação de um Projeto de Lei que impeça o uso de agrotóxicos;
2. Reforçar as articulações e resistências apoiando os povos tradicionais (indígenas/quilombolas) nas mobilizações e nas lutas por direitos e regularização de seus territórios;
3. Fortalecer as iniciativas como as cooperativas, baseadas no agro extrativismo, pois tem gerado renda para muitas famílias;
4. Fortalecer a Rede Panamazônica (REPAM), como espaço de articulação e intercâmbio das várias redes eclesiais que atuam em conjunto na sociedade amazônica;
5. Fomentar e/ou apoiar ações relacionadas a despoluição e revitalização das bacias hidrográficas e baías: Alto Tietê, Baía da Guanabara, Bacia do Rio Doce e o nosso Rio Paraíba do Sul;
6. Incentivar o desenvolvimento de projeto de preservação, recuperação e valorização das frutas, ervas medicinais;
7. Desenvolver a captação de energia solar descentralizada, como fonte de renda para as família e produção de energia;
8. Reformular e ampliar a rede de captação de água de chuva para beber e produzir;
9. Fortalecer as políticas públicas para melhoria do saneamento básico e transporte público de qualidade; e
10. Promover campanhas de conscientização quando ao descarte adequado dos resíduos sólidos e esgotos sanitários, para preservar os rios, lagoas e igarapés (Fonte A12).
Entre seis biomas brasileiros, Amazônia, Pantanal, Serrado, Caatinga e Pampa, está a nossa Mata Atlântica, uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta. Sua vegetação nativa vem sendo destruída, restando uma pequena área para preservação das espécies. E também suas águas. Destaque para o nosso Rio Paraiba do Sul. Para enfrentar esse desafio, a Campanha da Fraternidade conta com a participação de um importante parceiro de lutas ambientais a Fundação SOS Mata Atlântica. Somando esforços com a campanha, a SOS Mata Atlântica criou uma petição pelo fim dos “rios mortos”, que busca, em plena sintonia com a Campanha, a universalização do saneamento e a busca por água limpa nos rios e praias do Brasil.
Os rios mortos são rios destinados a diluir efluentes (esgotos) com baixa eficiência de tratamento e, na grande maioria, sem tratamento. “Para estes corpos d’água, a legislação não prevê sequer limites para poluentes, fazendo com que muitos rios e córregos, de milhares de cidades do país, fiquem completamente indisponíveis para usos múltiplos, como a produção de alimentos, o lazer e consumo humano. É um desperdício perverso, que agrava a indisponibilidade de água nos centros urbanos. Muitas vezes as águas poluídas atingem o litoral, piorando a poluição do mar e tornando as praias impróprias para banho. Tudo isso afeta a saúde e a qualidade de vida de cada um de nós”, explica Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.
Engajemo-nos desde essa primeira hora nessa campanha da fraternidade pela vida em nossa casa comum.
Medoro, irmão menor-padre pecador