
Outubro é o Mês das Missões, um período em que se intensificam as iniciativas de animação e cooperação missionária em todo o mundo. Queremos sensibilizar, despertar novas vocações missionárias e promover a solidariedade do conjunto dos cristãos para com os misissionários ad gentes – aqueles que deixam sua terra para anunciar Jesus Cristo nas periferias geográficas e existenciais – através da Coleta no Dia Mundial das Missões, sempre no penúltimo domingo de outubro (este ano dias 22 e 23), conforme instituído pelo papa Pio XI em 1926.
O tema escolhido para a Campanha Missionária desse é “Cuidar da Casa Comum é nossa missão”. E o lema, extraído da narrativa da criação no livro do Gênesis, é “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1, 31). O projeto do Criador é maravilhoso, mas encontra-se ameaçado! A preocupação pela ecologia parte de dois gritos: o grito dos pobres que mais sofrem, e o grito da Terra que geme pela exploração. Dessa forma a Campanha Missionária retoma a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano e amplia a missão de cuidar da vida em todo o planeta.
Em sua Encíclica Laudato si’, o papa Francisco adverte que “a existência humana se baseia sobre três relações intimamente ligadas: as relações com Deus, com o próximo e com a terra” (LS 66). E lança uma pergunta: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem nos suceder, às crianças que estão crescendo?” (LS 160). Em nossa Casa Comum, tudo está interligado, unido por laços invisíveis, como uma única família universal. E nós recebemos de Deus a missão de cuidar dessas relações.
Isso tem a ver com a missão da Igreja. Queremos fazer do cuidado do planeta a nossa missão até os confins do mundo. Diante da crise socioambiental, nem todos temos de ser especialistas e saber tudo, mas temos o dever de mudar nossos hábitos e apoiar ações práticas. É preciso refletir sobre os elementos de uma "ecologia integral", despertando em todos a ideia/ação do cuidado com o bem comum como uma ação (vida) profética.
Já na Campanha da Fraternidade deste abordávamos essa temática com o objetivo geral de “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”. As reflexões se detiveram sobretudo sobre o saneamento básico como um direito humano fundamental e, como todos os outros direitos, requer a união de esforços entre sociedade civil e poder público no planejamento e na prestação de serviços e de cuidados. O abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle de meios transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas.
Um tema que não poderia ficar ali naquela campanha quaresmal. Como agora deve se estender a toda Igreja. Nesse esforço evangelizador a Pastoral da Juventude do Brasil também lança mão por isso, dessa temática para a celebração do DNJ-Dia Nacional da Juventude – em nossa Diocese no dia 16 de outubro -, com o tema “Juventude e nossa Casa Comum”, e o lema, “Vou criar novo céu e nova terra” (Is. 65,17). Inspirados também na Encíclica do Papa Francisco Laudato Sí, os jovens são convidados a serem portadores e protagonistas da “casa comum”.
Casa comum, nossa responsabilidade! “Cuidar da Casa Comum é nossa missão”!
Medoro, irmão menor-padre pecador