Aconteceu nesse último final de semana, de 20 a 23 de junho em Cuiabá, MT, o VII Encontro Nacional do Laicato, sob o tema “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade: um novo olhar e um novo agir” e o lema “Desci para liberta-lo!” (Ex3 ). Segundo Marilza Schuina, presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, “os encontros nacionais têm o objetivo de contribuir para a articulação do laicato do Brasil e estabelecer diretrizes gerais e definir as linhas de ação do organismo”. E mais. “A nossa expectativa é que de fato possamos incentivar, articular e organizar o laicato nos regionais do CNLB e nas dioceses”. 

Foram praticamente 500 leigos e leigas, de todos os Estados brasileiros, que participaram desse grande encontro. A nossa Diocese teve entre os seus representantes uma leiga trirriense da Paróquia de são Sebastião: a Carmem Lúcia Rosa. Ali se refletiu a consciência, cada vez mais amadurecida, do nosso laicato católico. Os muitos Movimentos Eclesiais, as diversas pastorais e, sobretudo, as CEBs-Comunidades Eclesiais de Base são os espaços dessa alvorada laical da Igreja do Brasil. Nesses, os cristãos todos participam da vida, missão e das decisões da Igreja, superando assim a dicotomia entre clero/laicato que se manifestava, sobretudo nas dicotomias: clero para o sagrado e leigo para o profano; e clero quem decide e ordena e leigo que obedece e executa. O diálogo adulto, em base às orientações do Concílio Vaticano II e dos documentos recentes dos vários episcopados, vem criando uma Igreja toda comonional, ministerial; consequentemente renovadora das nossas organizações internas e comprometida com a profecia libertadora.

Quero destacar, por isso, no segundo dia desse VII Encontro Nacional do Laicato do Brasil, a contribuição do teólogo Roberto Malvezzi (Gogó),  com a palestra “Os clamores do Povo”, na qual retratou os clamores que sempre existiram deste o início da criação como o assassinato de Abel;   depois pela destruição da Terra e a aliança com Noé; a realidade do povo oprimido; pelos profetas e a experiência de Jó e a Pessoa de Jesus. Todos estes momentos descritos na Bíblia retratam realidades do povo sofrido, marginalizado e em todos Deus os ouve e desce para libertá-los de seus sofrimentos. Descobre-se assim, um Deus que ouve, aceita, conversa e que não é omisso, nem alheio. Logo, o clamor do pobre deve também nos questionar de que forma nós estamos atentos aos clamores dos povos indígenas, mulheres, pobres, ribeirinhos, jovens e de tantos outros que estão, ou melhor, que continuam sendo excluídos e marginalizados em nossa sociedade. 

Através desse mesmo tema, Gogó abordou a maneira como a pessoa torna-se objeto do outro por falta de uma consciência da importância da vida e de sua própria vida. Sublinhou a consciência bíblica de um Deus que desce, como homem, para libertar-nos da opressão e das estruturas dominadoras. A partir daí, falou da importância das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base, que têm essa preocupação com os empobrecidos. Também falou de um Deus que se encarna. Jesus é o Deus que desce, Deus que ouve. “Jesus que não se escandaliza com nada. Deus que se insere na humanidade como seu verdadeiro sacerdote. E eleva tudo na plenitude dos tempos com a ressurreição: isso nos desafia a uma fé encarnada”. Acredito ser essa reflexão do nosso teólogo um retrato esperançoso dos leigos e leigas atuantes em nossas comunidades. Avante!

                                                     Medoro, irmão menor-padre pecador.