A Comunidade Católica celebra, no mundo inteiro e nas ruas, a grande Festa de Corpus Christi. Manifestação publica da fé dos cristãos na presença real do Filho de Deus no pão e no vinho consagrado. Cremos firmemente que o Senhor Jesus está realmente presente em corpo, sangue, alma e divindade na Hóstia Consagrada. Na Última Ceia o Filho de Deus feito homem, “tomou o pão e tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue. Todas as vezes que beberdes, fazei-o em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Cor, 11,23-26).

            Esta festa foi instituída pelo Papa Urbano IV, no século XIII, com a finalidade catequética de inculcar na consciência dos cristãos uma correta piedade eucarística que valorizasse o ato de comungar o Corpo e o Sangue do Senhor e a vivencia das exigências da unidade entre os cristãos e da ética da partilha do pão com os necessitados. E isso, a partir da mais genuína tradição neo-testamentária. Foi São Paulo quem exortou a Comunidade dos Contintios contra as divisões entre os irmãos que se refletia nas suas celebrações diárias. Os ricos deixavam os pobres com fome na ceia diária de confraternização, o que os tornavam indignos de comungar o Corpo e o Sangue de Jesus. (cf. 1 Cor 11,17-34). Toda comunhão eucarística exige solidariedade com os famintos, com os injustiçados.

            E a razão dessa mútua implicação de quem comunga o Corpo de Cristo na Eucaristia deve comungá-lo no irmão empobrecido e vice-versa, se dá ao fato de que Jesus se identifica com os mais pobres e neles exige ser alimentado, socorrido; condição para entrar na vida eterna. No Sermão do Juízo final declara: “Vinde benditos no meu Pai, recebei por herança o Reino ... pois tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era andarilho e me abrigastes; estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes me ver” (Mt 25, 34-36). Daí o Papa Francisco: “É preciso tocar a carne de Cristo nos pobres, sofredores e pecadores. (...) Prefiro uma Igreja acidentada nas ruas, do que enferma dentro de casa. (...) É preciso ir às periferias geográficas e existenciais. (...) Sejamos uma Igreja em saída”!

            A solenidade desse ano se dá em meio a dois importantes acontecimentos que reivindicam vida para os empobrecidos. O Seminário celebrativo dos 25 anos do 7º Encontro Inter-eclesial de CEBs em Duque de Caxias, no último fim de semana. Quase 50 delegados das CEBs de nossa cidade puderam beber da profecia de Dom Mauro Morelli e a sabedoria do teólogo Celso Carias. Aprofundaram os compromissos inadiáveis da Igreja frente aos desafios do mundo urbano para a evangelização dos pobres. É urgente enfrentar o mercado religioso que aliena ao apresentar, sob a capa de Jesus Cristo, a “trindade” materialista da prosperidade, saúde física e bem estar emocional, como valor absoluto. E isso mediante os Círculos Bíblicos, as pastorais sociais e o empenho pela mudança política e econômica.

            E acontece nesta semana, em Goiânia, o 54º Congresso da UNE, do qual participa quase uma dezena de jovens de nossa Pastoral Universitária. Ali estarão debatendo uma rica pauta da conjuntura nacional que desafia todos os cidadãos por um país que seja de todos. Entre outros, destacamos: a  redução da maioridade penal; financiamento, combate a corrupção e participação popular na reforma política democrática; a crise econômica do capitalismo e seus efeitos sobre a classe trabalhadora e a juventude do Brasil e do mundo; a defesa da Petrobras e a importância estratégica do petróleo para a educação e o Brasil; o projeto de terceirização e os desafios dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil; o direito a cidade: moradia, mobilidade e segurança pública; saúde pública de qualidade para cuidar bem das pessoas; ...

             Que a Festa do Corpo de Cristo seja antecipação da Festa de todos os corpos resgatados e dignificados, também por uma Igreja em saída!

Medoro, irmão menor – padre pecador