
Jesus na pregação, segundo o Evangelho de João, sobre a “Eucaristia, o Pão da Vida”, nos deixou como legado uma missão: O Pão que Eu darei é a minha carne para a vida do mundo (Jo 6,51). Daí que toda participação fervorosa e verdadeira na Celebração da Eucaristia é Missa, ou seja, implica numa missão em favor da vida. E não poderia ser diferente porque em Jesus coincide a sua identidade com a sua missão, como Ele mesmo proclamou: Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10,10).
Daí, que o que diferencia o cristianismo de qualquer outra religião, o que lhe é específico, é a união entre fé e vida, a mútua implicação entre adoração a Deus e amor-serviço aos irmãos; ou ainda a autêntica piedade eucarística exige necessariamente o compromisso social. Recordemos que na Última Ceia, quando Jesus institui o Sacramento da Eucaristia transformando o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue (cf 1 Cor 11,23-26), ele dá um Novo Mandamento: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 15,12).
Esta exigência ética da fé cristã deve manifestar-se em gestos individuais e coletivos de solidariedade pessoal, na caridade para com quem está desamparado, excluído, descartado, como condição para se entrar no céu (cf Mt 25,31-46). Mas também ações sociais transformadoras que busquem sanar as causas da miséria humana. Esse é o sentido nobre da palavra Política, que o Papa Paulo VI expressou como “a forma mais elevada da caridade”, pois, diria, não é possível enxugar o chão com a torneira aberta.
À luz dessa espiritualidade eucarística, as nossas CEBs-Comunidades Eclesiais de Base trirrienses vem se esforçando no cuidado da vida ferida e ameaçada multiplicando seus serviços sociais para com os portadores do vírus HIV, as mulheres e gays em situação de prostituição, os moradores de rua, alcoólicos, dependentes químicos, pessoas com depressão,... Também são várias as iniciativas promoção humana do idoso, da mulher marginalizada, dos jovens sem acesso à universidade,...
A dimensão profética do amor-serviço vem sendo alavancada, sobretudo, pelo MF&P-Movimento Fé e Política que buscou, com êxito, preparar o Corpus Christi desse ano levando os cristãos ao exercício da cidadania no resgate das Associações de Moradores de nossos bairros, da área paroquial. Três gestos de profecia cidadã aconteceram no Triângulo, Pilões e Moura Brasil. Isto foi igualmente decorrente da participação dos leigos e leigas nas mobilizações por um Brasil democrático e sem corrupção.
Na preparação desse Corpus Christi, o MF&P presidido pelo Pedagogo Eduardo José Pires, com adesão firme das comunidades, criou o GAL-Grupo de Acompanhamento do Legislativo. Foi positivamente impactante o lançamento na Câmara dos Vereadores, em 25 de maio. E precisamente no último sábado 10 de junho a paróquia em parceria com o Instituto Txai implantou o Cine Clube Operário, sob a direção de Maria Lúcia Tafuri Ávila e Urbano Von Paumgartten Costa, para a conscientização para a responsabilidade social. Registramos a gratidão ao Sociólogo Gilberto Simplício que intermediou tão necessária iniciativa. Igualmente ao Teólogo-psicólogo Roberto Teixeira, da PUC-Rio que foi o debatedor inaugural a partir do filme “Contador de história”.
Na mesma perspectiva eucarística social foi implantado o NPJ-Núcleo de Prática Jurídica, da Faculdade de Direito da UFRRJ-Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, sob a Direção do Prof. Julian Emmerick que com sua competência intelectual e sua sensibilidade humana acolheu o convite da nossa CJP-Comissão de Justiça e Paz, presidida pelo Dr Luiz Fernando Melo. Uma parceria da Diocese de Valença com a UFRRJ para o acesso dos empobrecidos à justiça e a formação da consciência para os direitos humanos e sociais.
Na ocasião da instalação do NPA o jovem acadêmico de direito e coordenador da Pastoral Universitária, natural e morador da CEB Pilões, Matheus Ambrósio deu com sabedoria e simplicidade o sentido espiritual dessa missão social, o qual se estende a toda iniciativa social da Igreja: “repartir o pão para comer do Pão do Céu!. Isso é celebrar na vida o encontro com o Corpo de Cristo, nos corpos feridos pelas injustiças e discriminações sócias, nos direitos humanos negados aos filhos de Deus”. Feliz Corpus Christi!
Medoro, irmão menor-padre pecador
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