Acontece nos próximos dias, entre 18 e 21 de janeiro em Londrina, PR.: o 9º CONENC- Congresso Nacional de Entidades Negras. Este é um espaço e um momento significativos de atuação da Pastoral Afro-brasileira. Terá como tema “Articular a Palavra de Deus e os Documentos da Igreja para apontar caminhos” e lema “O Espírito de Deus está sobre mim, para anunciar libertação” (Lc 4,18-19). Ali estaremos representados por Darlei Alves, Coordenador da Pastoral Afro-diocesana e Pedro Paulo Câmara da Silva, Coordenador da Pastoral Afro-trirriense; ambos, Agentes de Pastoral da Paróquia São José Operário. É o primeiro evento nacional neste Ano dos Leigos e Leigas. E isso é significativo!

            Sim. Nossas Igrejas andam cheias, vazando de gente. Os padres são poucos para atender a tantos católicos frequentes em suas comunidades e paróquias. Muitos e muitos batizados cooperam com seus carismas específicos nos muitos serviços, ministérios, pastorais, movimentos e associações em que estão organizadas nossas instituições eclesiais. Há também um apelo missionário para que os fiéis saiam às ruas para evangelizar os católicos afastados, para que estes não fiquem à mercê da sedução do marketing religioso. E também para que exerçam em nome da fé a cidadania e a promoção da justiça, característica exemplar da Pastoral Afro-descendente.

            Assim sendo, a pergunta que um católico ou cidadão comum poderia colocar-se seria: porque um ano para os cristãos leigos e leigas, já que são tantos, abarrotando as igrejas por toda parte? Estaria a Igreja, talvez, preocupada com o êxodo de católicos não praticantes para as novas seitas pentecostais? Certamente não. O que move o conjunto do episcopado brasileiro à essa opção são basicamente três os motivos: firmar a mística bíblica do laicato: “Vós sois o sal terra, vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14), resgatar a consciência do discipulado de Jesus que os fazem verdadeiros sujeitos eclesiais, confirmar o seu caráter carismático-ministerial dentro e fora da igreja.

            A vida cristã de todos os batizados e crismados, e não somente do clero e dos consagrados, é uma resposta, por graça de Deus, à vocação à santidade. Disse Jesus aos seus seguidores: “Sede santos como vosso Pai Celeste é Santo” (Mt 5,48). Ser santo significa ser totalmente outro, inigualável no amor aos demais. Dai que os cristãos leigos e leigas, chamados por Jesus à santidade, devem ser no mundo sal da terra e luz do mundo (cf Mt 5,13-14). Devem dar à sociedade a clareza da fé (luz) e o sabor do amor de Deus (sal). Ser e fazer são dimensões inseparáveis dos discípulos e missionários de Jesus Cristo. Daí, as exigências da humildade, disponibilidade, generosidade e da fraternura como autenticação de uma fé verdadeira, de uma alma orante.

            No conjunto da comunidade todos os cristãos e cada um em particular, em decorrência da graça sacramental, devem participar da vida, missão e das decisões da Igreja. Sim. A participação na vida da Igreja se dá pela escuta da Palavra de Deus, pela participação nas orações e nos Sacramentos e pela vivência-convivência da fraternura. Participa-se da missão assumindo serviços e ministérios confiados pela comunidade, a quem cabe o discernimento dos dons e carismas dados pelo Espírito Santo a cada um. No único Corpo de Cristo, cada um é um membro (cf. 1 Cor 12).E todos participam igualmente das decisões da Igreja. Na Igreja querida por Jesus não existe a classe dos que mandam e a massa dos que obedecem, pois segundo Jesus “todos vós sois irmãos” (Mt 23,8). Consequentemente, todos são Sujeitos Eclesiais!

            Os leigos e leigas, Sujeitos Eclesiais, com seus dons e carismas, atuam dentro e fora da comunidade. Assim, testemunhamos com alegria e gratidão, o engajamento de um incontável número de fiéis nas diversas pastorais, movimentos e associações da Igreja. Temos uma Igreja viva! E esse Ano do Laicato quer reafirmar essa plena cidadania e missão de todos com seus respectivos padre, bispos, diáconos e religiosos. Mas quer também, acordar, - isso mesmo, acordar – o laicato para a sua presença cristã-cidadã na sociedade pela promoção da justiça e da paz. Dai o porquê do Papa Francisco estar insistindo que sejamos uma “Igreja em saída”!

É profundamente doloroso vivermos num país de maioria cristã com os abomináveis escândalos de corrupção dos governantes em todos os níveis porque, entre outras causas, existe uma omissão imperdoável dos católicos, protestantes e evangélicos que lotam os templos, mas não se disponibilizam para a construção de uma nova sociedade. Problema sério já condenado por Jesus: “Esse povo me louva com os lábios mas o seu coração está longe” (Mt 15,8). E aqui se decide o futuro de todos nós: “Não são aqueles que me dizem Senhor, Senhor, que entrarão no reino dos céus; mas aqueles que fazem a vontade do meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Ano dos leigos e leigas para uma Igreja encarnada na história!

Medoro, irmão menor-padre pecador