Celebramos no último domingo de agosto a Vocação dos Leigos e Leigas. Sim. A vida e a missão de todos os batizados desde as primeiras Comunidades Apostólicas foram reconhecidas pela Igreja como resposta do Deus Providente às necessidades missionárias e de edificação da Comunidade dos Discípulos de Jesus. Os vários serviços de todos os seguidores do Crucificado-Ressuscitado eram reconhecidos como verdadeiros Ministérios Eclesiais, respostas aos dons e carismas concedidos pelo Espírito Santo para a vida da própria Igreja e para a sua missão de construtora do Reino de Deus na História. Entre esses, alguns eram ordenados para promover exatamente o despertar, a integração e a comunhão entre todos. Eram os Ministérios Ordenados (bispos, padres e diáconos) que serviam de “nervos e ligaduras entres todos os membros do Corpo em que Cristo é a Cabeça” (Ef 4,16).

            E assim, durante os primeiros séculos, a Igreja que sempre se autocompreendeu como uma comunhão de irmãos e irmãs que testemunhavam a fé no Senhor Jesus mediante o amor-serviço aos demais, não conheceu a dicotomia que a partir do final do século 3 foi-se introduzindo entre clérigos e leigos. Essa divisão entre o clero que tem poder e o laicato que obedece e colabora com esse mesmo clero foi fruto de uma necessidade institucional de então, devido ao crescimento rápido do cristianismo com a consequente dificuldade de manter a unidade dos cristãos. Muitos batizados se arvoraram a uma autonomia tal como se pudessem agir por si mesmos, independentes da comunhão eclesial, dizendo-se possuidores de um carisma dado pelo Espírito. Esse fenômeno se chamou de neo-gnosticismo.

            A partir de então, essa categoria “leigo” aplicada aos católicos não investidos oficialmente de ministérios tornou-se pejorativa: aquele que não sabe, que não pode. Dai o ditado comum: “leigo no assunto”. Todavia, a Igreja em sua tradição mais genuína não perdeu por completo sua autoconsciência de que todos os batizados estão chamados à vida, missão e decisão eclesiais. E o Concílio Vaticano II reverenciou e resgatou essa tradição da igualdade e dignidade de todos os batizados como verdadeiros e legítimos sujeitos eclesiais. Embora continuemos usando as categorias leigos e leigas, estes gozam mais e mais de cidadania eclesial, deixando de ser “uma flor sem defesa” sob o voluntarismo eclesiástico. Assistimos esperançosos uma maturação eclesial mediante um diálogo mais e mais adulto e um discernimento o mais comunitário possível.

            Para a alvorada desse tempo dos leigos em vista de comunidades eclesiais mais amadurecidas se fazem necessárias iniciativas de formação teológica, cultural e social. E para responder essa necessidade há 15 anos, nessa Região Pastoral – que compreende as 8 paróquias dos municípios de Três rios, Sapucaia, Paraíba o Sul e Levi Gasparian – foi criado o CITEP-Curso de Iniciação Teológico-pastoral. Com duração de dois anos, com aulas aos sábados à tarde, tem formado dezenas de leigos e leigas que assumem o protagonismo da evangelização em nossas comunidades. Assim, nessa semana da Vocação do Laicato não só saudamos as centenas de agentes de pastoral à frente das comunidades, mas também parabenizamos à abnegada e competente equipe do CITEP por esse serviço relevante por uma Igreja de batizados comprometidos com o Reino de Deus.

Medoro, irmão menor-padre pecador