Irmãs e Irmãos na fé e cidadãos e cidadãs de boa vontade,

O Papa Francisco inaugurou o seu ministério petrino convocando e incitando a igreja a ir nas periferias geográficas e existenciais, ser uma igreja na rua, quando em seu primeiro encontro com os bispos da América Latina, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, exortou para o empenho de todos na valorização das CEBs, dos Conselhos Pastorais e na implantação dos grupos de reflexão bíblica: os Círculos Bíblicos!

Uma característica fundamental dos Círculos Bíblicos é o protagonismo dos pobres, que buscam luz e força na Palavra de Deus, para compreender a sociedade em que vivemos tomar atitudes cidadãs a serviço da vida com qualidade para todos, formando verdadeiros interventores sociais. Nessa perspectiva, a igreja não é mais apenas uma comunidade de prestação de serviços sociais, que dá o peixe a quem tem fome, e também não apenas promotora de iniciativas para o mundo do trabalho, ensinando a pescar. Nos Círculos Bíblicos a igreja quer ser uma escola de cidadania que forme para a justiça e a solidariedade, que ensine o pescador a ter o peixe, evitando a expropriação dos frutos do seu trabalho.

Os pobres, como protagonistas de uma nova sociedade, de trabalho com dignidade e distribuição justa de renda, buscam nos Círculos Bíblicos uma mística nova e bíblica. Eles redescobrem o quão são amados por Deus e que tendo criado a todos a sua imagem e semelhança, os quer como sujeitos da história. Essa consciência alimentada nos Círculos Bíblicos produz sentimento de dignidade, empenho das lutas pelas transformações sociais, reforça os vínculos de comunhão e fraternidade, alimenta a prática da solidariedade libertadora e, sobretudo, mantém acesa a chama da fé.

Daqui entendemos a exultação orante de Jesus: “eu te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do vosso agrado” (Mt 11, 25-26). A opção, pois, pelos Círculos Bíblicos como igreja dos pobres é uma busca de fidelidade da comunidade cristã à vontade de Deus que se revelou como pai, para que todos, com igual vida digna, se amassem como irmãos e irmãs. Proclamando Jesus ser o Pai, Senhor do céu e da terra, norteia a consciência cristã para discernir que os bens da terra são, também, de todos, e não podem, por isso, serem expropriados e acumulados por uns poucos à custa do trabalho de muitos.

A vida orante no Círculos Bíblicos, por sua vez, resgata a rica tradição judaico-cristã da oração dos salmos, como um Ofício Divino das Comunidades. Agrega-se à oração dos salmos a Leitura Orante da Escritura, a “Lectio Divina”. É tão rico o banquete do pão da palavra, que as súplicas pessoais que cada um traz são imediatamente respondidas; o que, por sua vez, suscita o louvor, a ação de graças, a Eucaristia. A partir, pois, desta rica experiência dos pequenos Círculos Bíblicos vislumbra-se a destinação universal da salvação: Jesus Cristo é para todos. Numa sociedade que excluía e ainda excluí os pobres, essa experiência de uma pequena igreja doméstica se abre à totalidade. Trata-se, pois, não de opção de uma classe contra outra, pobres contras ricos, mas a opção pelos pobres se torna a opção por todos os filhos e filhas de Deus, opção verdadeiramente inclusiva.

A nossa paróquia de São José Operário quer, neste tempo jubilar, criar em cada rua, quarteirão, bairro ou roça uma igreja viva, orante, solidaria, missionária e fiel aos ensinamentos da escritura. Participe com a gente!

Medoro, irmão menor – padre pecador.