
Dois eventos eclesiais nessa primeira semana de fevereiro abrem a vida pastoral da Paróquia do Triângulo e região. No dia 03 de fevereiro, as CEBs-Comunidades Eclesiais de Base da Paróquia de São José Operário celebraram o seu 7º Encontro Anual de Comunidades, sob o tema “CEBs – Igreja em saída na busca da vida plena para todos e todas”, do 15º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base do Brasil, que vai ocorrer em julho de 2022 em Rondonópolis (MT). O lema será “Vejam! Eu vou criar novo céu e uma nova terra…” (Is 65, 17ss).
E, na próxima sexta-feira, 08 de fevereiro, Dom Nelson Francelino, Bispo Diocesano, presidirá, na Igreja de São José Operário, às 19h, a Missa de Formatura dos novos teólogos leigos e leigas do CITEP-Curso de Iniciação Teológico-pastoral, por uma Igreja em saída.
A expressão “igreja em saída” foi utilizada pelo papa Francisco na exortação apostólica Evangelli Gaudium (A Alegria do Evangelho) e aos poucos ganha significado na vida pastoral católica. Significa uma igreja missionária, que deve sair de si mesma e se dirigir às periferias físicas e existenciais.
O espírito ousado de uma “igreja em saída” já foi responsável no papado de Francisco pelo Sínodo da Juventude (em outubro de 2018) e orienta a realização do Sínodo da Amazônia, marcado para outubro deste ano em Roma, para ouvir os povos da floresta, em especial os indígenas.
Esse vento inspirador também moveu Francisco a realizar encontros com movimentos populares de todo o planeta. Nessas ocasiões o papa criticou a cultura do descarte do sistema capitalista e afirmou uma plataforma revolucionária, com terra, teto e trabalho para todas e todos.
Enfim, exemplos que estimulam as CEBs a refletirem sobre sua caminhada, levando em conta o contexto atual e, ao mesmo tempo, o compromisso com os mais pobres, como consolidou a Conferência Episcopal Latino-americana de 1968, em Medellín (Colômbia).
É como explicou a irmã Maria de Fátima Cavalcanti, articuladora do Regional Nordeste 4, Piauí. “No difícil contexto político que vivemos, as propostas das CEBs reafirmam o compromisso de sermos fermento de resistência, sal e luz na sociedade. Isso ocorre na defesa dos povos indígenas, dos quilombolas, nas periferias, na defesa dos direitos roubados dos pobres. Temos consciência que somos minoria, mas o fermento pode crescer e transformar a realidade”.
Essa “santa teimosia” também se conecta com a “vida plena para todos e todas”, presente no lema do 15º Intereclesial. Afinal, estar cheio, completo, repleto, inteiro, nos indica uma ampla utopia, que envolve as dimensões econômica, política, social, cultural, ecológica e tantas outras.
Pensar a vida plena subentende mostrar o que nos afasta da plenitude e afirmar aquilo que nos aproxima dela. E aí, de um lado, aparece algo bastante mencionado na Ampliada: um modelo de sociedade baseado no consumismo, individualismo, concorrência desleal e exploração. Ou seja, na concentração de terras, sobreposição do agronegócio à agroecologia, construção de grandes empreendimentos em terras indígenas, preferência empresarial pela terceirização em vez da geração de empregos com carteira assinada.
De outro lado aparecem experiências ricas em sabedoria popular, tecnologia social, respeito à mãe natureza e democracia participativa. Entre elas, a recuperação de nascentes de rios, a economia solidária, a saúde homeopática, os quintais produtivos, o hip hop e as batalhas de rima nas praças em meio à juventude, a leitura popular e feminista da bíblia.
Juntos numa Igreja em saída por uma nova sociedade, iluminados e alimentados pela Palavra de Deus! E parabéns aos novos teólogos leigos e leigas e à direção e professores do CITEP!
Medoro, irmão menor-padre pecador