
Dedicamos, nesse mês, três artigos sobre o jeito novo de ser Igreja, a partir das comunidades do Brasil e da América Latina: Igreja como CEBs. E queremos nessa coluna refletir sobre a compreensão que se tem de Comunidade; seus três aspectos ou dimensões fundamentais: comunidade como encontro interpessoal, com objetivos e meios comuns e sua relação com a sociedade. E tudo isso, não só pela sua importância sociocultural na sociedade que aí está, mas, em primeiro lugar, por sermos cristãos em busca da vontade de Deus em Jesus Cristo para os seus seguidores, os discípulos e discípulas.
Contemplando os Evangelhos vemos a prioridade que Jesus dá para o encontro pessoal com seus seguidores e com aqueles que vão até Ele, em busca de libertação e salvação. Lembremos, a título de exemplo, entre os seus muitos milagres, a cura da mulher que sofria de uma incurável hemorragia. Jesus em meio a uma multidão que o acotovelava, é tocado em sua roupa por ela. Então, Ele pergunta aos seus discípulos “Quem me tocou”? Eles zombam de Jesus enquanto Ele a vê, acolhe e cura (Mc 5,21-43). E cultivava a fraternura com seus discípulos chamando-os, repetidas vezes, a um lugar à parte, para ficarem a sós, em comunidade (Lc 22,39-46). Ressuscitado vai ao encontro de Madalena e dos discípulos reunidos com Maria (Mc16, 9-18).
São numerosos os testemunhos dos evangelhos sobre Jesus na comunidade e instituindo, criando mesmo, a Igreja como Comunidade de seus discípulos e discípulas. Lembremos a escolha dos discípulos para a primeira comunidade (Mc 1,16-20; Lc 6,12-16; Jo 1,35-51) e para a primeira missão ((Mc 3,13-19). Ele também os ensinou a viver em comunidade (Mc 9,33-37), como uma família (Mt 12,46-50; Mc 3,31-35; Lc 8,19-21); e comunidade missionária (Lc 5,1-11; 9,1-5;10,1-16; Mt 28, 16-20). E para isso, institui a Eucaristia, a Missa que semanalmente participamos, para celebrarmos a unidade e acolher a missão a que nos envia (Jo 6; 13,1-15; 15,1-17). E Jesus rezou pela unidade de seus seguidores, para que todos sejam um (Jo 17). Daí a valorização da dimensão ecumênica frente ao escândalos de sermos tantas Igrejas divididas. Ainda Ressuscitado nos ordena o perdão e a reconciliação (Jo 20,19-23). Enfim a Igreja nasce sob a vontade e a ordem de Jesus Ressuscitado (Mc 16,15-20; Mt 28,18-20) para construir o Reino de deus na História!.
Registremos enfim o testemunho comunitário da Igreja nascente, atentos à radicalidade da partilha do pão e da comunhão, referência obrigatória para os cristãos de todos os tempos. Lamentável que muitos que se dizem verdadeiros cristãos, mas que na verdade adoram o dinheiro e usam a religiosidade como capa de santidade, critiquem as CEBs de grupos comunistas com sua Teologia da Libertação. Leia e tire sua conclusão!
Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um. Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas (At 2,42-47).
Ou ainda: A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade. Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer Filho da Consolação), levita, natural de Chipre, possuía um campo (At 4,32-35).
Eis, pois, o jeito sempre novo de ser Igreja, que as CEBs-Comunidades Eclesiais de Base procuram resgatar, alimentadas pela Palavra de Deus que nos chega pela Teologia da Libertação!
Medoro, irmão menor-padre pecador