A Comunidade de São José Operário, no Bairro do Triângulo, em nossa cidade de Três Rios, acolhe no próximo domingo, dia 02 de setembro, inaugurando o Mês da Bíblia, o 2º Encontro Regional de Animadores de CEBs- Comunidades Eclesiais de Base. O tema CEBs, Comunidades de Sujeitos Eclesiais, exprime uma das características básicas desta nova configuração da Igreja, inspirada nas comunidades do Novo Testamento: o protagonismo dos leigos e leigas na vida, missão e, também, nas decisões da Igreja. Dai o tema “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14, do Ano do Laicato em curso.
    Esta nova realidade eclesial dos batizados assumindo novos serviços e ministérios nas suas respectivas comunidade e também na sociedade faz das CEBs uma Igreja mais e mais toda ministerial. Alguns, mais idosos, devem recordar-se que antes do Concílio Vaticano II a Igreja praticamente se identificava com o clero e os demais fiéis deveriam ser apenas católicos praticantes, assíduos aos sacramentos, devotados às praticas de piedade das irmandades e confrarias e cumpridores de uma moral, sobretudo individualista. A renovação conciliar desencadeada na segunda metade da década de 60 promoveu o engajamento dos leigos e leigas na missão da Igreja. Nas décadas seguintes os bispos da América Latina estimularam as comunidades de base.
    A partir de então, as paróquias foram ultrapassando suas velhas estruturas, superando a clássica dicotomia excludente entre clero e laicato e dando lugar à nova e auto identidade de Comunidade de comunidades. No concreto, isso significa que a Igreja não é mais vista como posse do padre. E nesta, cada cristão de assumir sua missão específica, segundo o carisma dado pelo Espírito Santo, buscando atuar em comunhão com os demais irmãos leigos e leigas e os pastores da Igreja (os bispos e padres). E mais. Decidindo juntos em todas as dimensões da comunidade de fé. As estruturas da sociedade que influenciavam a organização eclesial tornam-se inadequadas: nem monarquia em que poucos impõem sobre muitos, nem democracia em que muitos impõem sobre poucos. Mas comunhão, busca do consenso!
    Esta consciência eclesial comonional agrega o conjunto dos batizados como verdadeiros Sujeitos Eclesiais. Ninguém mais é ajudante do padre, pois todos ministros e servidores numa Igreja toda ministerial a serviço do Reino de Deus na História. Reino de Deus que é o mundo do jeito que Deus quer. Segue daí a exigência primordial do apostolado leigo na sociedade, nos mudos do trabalho, da educação, da cultura, ... Na expressão do Papa Francisco, “uma Igreja em saída”! Uma Igreja solidária com o mundo que sofre! E esta auto compreensão missionária conduziu nas últimas décadas a duas claras e inequívocas opções pastorais preferenciais: pelos pobres e pelos jovens! E, não apenas como destinatários, mas agentes da ação evangelizadora!
    Sujeitos Eclesiais é a expressão feliz e consequente que traduz a maturidade eclesial do Povo de Deus, no conjunto de nossas comunidades. Mas, continua igualmente sendo uma perspectiva desafiadora quando assistimos o surgimento de movimentos, sobretudo laicais, de restauração do modelo clerical. Ora, os documentos do Concílio Vaticano II, como das Conferências Episcopais da América Latina não podem ser relativizados e negados como se fossem ideologias de grupos eclesiásticos. Ao contrário, regatam a Tradição mais genuína da Igreja: ser Comunidade de comunidades, Comunidades de Sujeitos Eclesiais, tal como vivem e testemunham as CEBs
                                                                            Medoro, irmão menor-padre pecador