Por uma inesperada e abençoada coincidência, no último domingo, dia 29 de novembro, enquanto o Papa Francisco – num gesto inaudito e profético -  antecipava a abertura do Ano Santo da Misericórdia agendado para 08 de dezembro e a deslocava de Roma para a África, as nossas quase 300 CEBs, Comunidades Eclesiais de Base, celebravam em Vassouras os 90 anos da Diocese de Valença.

Eram mais de mil fiéis numa contagiante e fervorosa alegria, que o ardido calor tropical daquela hora não foi capaz de obstaculizar, impedir. Os bispos Dom Nelson e Dom Elias com 27 dos 31 padres da diocese se uniram ao laicato para o louvor e o compromisso de sermos mais e mais uma Comunidade de Comunidades alimentadas pelos Círculos Bíblicos. A assessoria esteve a cargo do renomado biblista, Francisco Orofino.

Coincide também essas comemorações com os 50 anos do Concílio Vaticano II, que resgatou a tradição mais genuína da Igreja, de ser um Mistério de Comunhão, enraizado na Santíssima Trindade, a Melhor Comunidade! Pela graça do Batismo todos são igualmente seguidores de Jesus, na diversidade de dons e carismas, atuam na diversidade dos serviços e ministérios eclesiais e na busca da unidade que se celebra da Eucaristia.

Esta convivialidade sacramental e fraternal é suscitada pelo Espírito Santo e cultivada nos Círculos Bíblicos em que os fiéis buscam se alimentar da Palavra de Deus. Esta é luz que esclarece a vontade de Deus sobre as realidades familiar, social, econômica, politica e religiosa do povo, e é calor que dá sentido à própria vida, fortalece os laços comunitários, envia à solidariedade com os pobres, doentes e pecadores e afervora a vida orante e sacramental.

Neste Círculos Bíblicos se faz a Leitura Popular da Bíblia, se articula Fé e Vida. Eles fazem-nos ser, como pede o Papa Francisco, “uma Igreja em saída”. Isso se manifesta na missionariedade de “uma Igreja em cada rua ou canto de roça”, na acolhida ecumênica a irmãos/ãs de outras Igreja Cristãs, na inclusão dos que estão “nas periferias geográficas e existenciais”, na preparação de interventores sociais, na denúncia profética e no fervor orante.

É viva a consciência de que não basta, em tudo isso, que cada um faça a sua parte, ou alguma coisa. É preciso atuar juntos e em conjunto. Somos membros do Corpo de Cristo, Templos do Espírito Santo, o Povo de Deus! Dai, todos participamos igualmente da vida, missão e decisões da comunidade. Para isso existem as Assembleias Pastorais e os Conselhos Pastorais, nos níveis comunitário, paroquial e diocesano.

Nesses organismos de comunhão e missão quem tem a última palavra na hora das decisões é o Espírito Santo. Cremos firmemente que o caminho da busca de consenso corresponde a vontade de Deus. Assim os fiéis leigos  representam os interesses de suas bases e o padre o conjunto da Igreja. Ninguém impõe nada a ninguém. Os temas divergentes implicam em dar tempo ao tempo. Caso contrario, se teria monarquia ou democracia, não comunhão.

Nessa comunhão das CEBs, tudo acontece em meio a muita simplicidade nos costumes, interesse pela reflexão bíblica, fraternura nas relações, reverência para com os padres, diálogo adulto entre todos, respeito pelo próximo, amor aos pecadores, discrição na caridade, alegria na missão, coragem nos enfrentamentos com o mundo, fervor nas orações, piedade nas celebrações, integridade espiritual e dignidade pessoal.

A nossa Diocese de Valença foi pioneira na promoção das CEBs. Destacamos em sua gênese o empenho pastoral de Dom José Costa Campos, Pe Sebastião da Silva Pereira, Pe Argemiro Brochado Neves, Pe João José da Rocha e Frei Zeno. Na pessoa da Marilda Fernandez e da Irmã Vilda Contijo queremos festejar dezenas de fiéis leigos e leigas e muitas religiosas que deram e vem dando suas vidas pela Igreja que nasce do povo, pelo Espírito!

                                                                                                                                                                                                                               Medoro, irmão menor-padre pecador