A Igreja nasceu do envio de Jesus Cristo no Domingo da Ressurreição, quando apareceu aos discípulos reunidos no Cenáculo, de portas trancadas por medo dos judeus, e ordenou-lhes: “Como o Pai me enviou também eu vos envio. (...) Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,21-22). Envio retomado no Domingo da Ascensão: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (C 16,15). E, uma semana depois, no Domingo de Pentecostes, os discípulos acolheram o Espírito Santo, que reconheceram no vento impetuoso e nas línguas de fogo, e saíram anunciando as boas notícias de Deus na diversidade das línguas de todos os povos (cf.  At 2,1-13).

            As palavras “todos os povos”, “todas as nações”, “todas as gentes”, “todo o mundo”, “universal” são as traduções para a língua portuguesa da palavra “católica”, de língua grega em que foi escrito o Novo Testamento. Daí a Igreja ter sido desde a primeira hora, Igreja Católica, ou seja Igreja enviada a anunciar o Evangelho a todo o universo. Uma única Igreja que pela ação do Espírito Santo – que vence e supera todo o pecado – é Santa e permanece Apostólica, ou seja pastoreada pelos sucessores dos apóstolos, que já no Novo Testamento foram chamados de bispos (cf 1Tim 3, 1-7).

A única Igreja Santa Católica Apostólica é igualmente Una por ser enraizada no Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ou seja num Deus Uno e Trino. Dessa diversidade das três Pessoas Divinas nasce a pluralidade das Comunidades Cristãs, denominadas Dioceses, confiadas aos bispos, sucessores dos apóstolos. Os bispos não se atribuem a honra desse apostolado, mas pela escolha da Igreja e pela imposição das mãos de, pelo menos, três bispos de três outras dioceses são constituídos pastores para evangelizar e promover a unidade da rica pluralidade da única Igreja de Cristo.

            Três Rios, compõe com Valença, Vassouras, Paraíba do Sul, Sapucaia, Rio das Flores, Pati do Alferes, Miguel Pereira e Levi Gasparian a Diocese de Valença, criada pelo Papa Pio XVI em 1925. Hoje a nossa Diocese nesses nove municípios congrega vinte e duas paróquias e quase trezentas comunidades. Há vinte e três anos vem sendo pastoreada por seu sexto bispo, Dom Elias Manning que compartilha o seu pastoreio com vinte e sete padres e um diácono e com estes dinamizam o apostolados dos batizados, que hoje formam um rico e esperançoso quadro de centenas de Agentes de Pastoral. Somam a estes as dezenas de Religiosos e Religiosas, sobretudo a serviço da vida.

            Nossa Diocese se reúne no próximo domingo, 17 de novembro, em Vassouras para o Encontro das Comunidades, quando celebraremos quatro motivos centrais da atual caminhada eclesial: 1) o Encerramento do Ano da Fé; 2) Ecos Jornada Mundial da Juventude –; 3) o Envio dos Delegados Diocesanos para o 13º Encontro Inter-Eclesial de CEBs, em Juazeiro do Norte; e 4) a Ação de Graças pelo fecundo pastoreio de Dom Elias nesses 23 anos de caminhada. Seu pedido de renúncia ao ministério de bispo se deu em obediência à legislação atual da Igreja que pede aos bispos que o façam ao completar os 75 anos de idade.

            Algumas constantes nessas duas décadas e pouco de pastoreio de Dom Elias revelam a atualidade de sua consciência e de seu compromentimento com as diretrizes da evangelização da Igreja do Brasil. Destacamos duas: a valorização das comunidades e o empenho para que essas sejam sempre mais verdadeiras Comunidades Eclesiais de Base. Estas se caracterizam pelo protagonismo dos leigos, pela articulação entre fé e compromisso social, pelo diálogo adulto com os pastores na co-responsabilidade com a vida, a missão e as decisões na Igreja. E a segunda é a Animação Bíblico-catequética da vida e missão da Igreja, com ênfase nos Círculos Bíblicos e na Pastoral Catecumenal.

 Ação de Graças pois à fidelidade de Deus no serviço pastoral de Dom Elias: gesta do Deus Misericordioso para com o seu povo! Gratidão também a quem buscou ser fiel ao Concílio Vaticano II que, como bem expressou o Papa Francisco, desenhou para o nosso tempo uma Igreja pobre para os pobres, tal qual queria Jesus. Vai assim, permanecer por muito tempo na memória da  diocese a palavra, o testemunho e a imagem de um bispo-irmão-pastor do seu rebanho. E tudo isso nos pede para continuar a caminhada de uma comunidade a serviço do anúncio do Evangelho e do cuidado da vida.

Medoro de Oliveira