
Um dos grandes desafios do cristianismo hoje é a transmissão da fé às novas gerações de crianças e jovens. Entre as muitas causas estão a tibieza da fé de muitos pais – que não só não buscam viver a fé em comunidade empenhados em comunica-la aos seus filhos e filhas – como o pluralismo cultural e religioso em que a fé transmitida é contestada nos vários ambientes pelos colegas e nas novas mídias em que nossas crianças e jovens vivem “plugados”. Antes, o que os adultos passavam em termos de valores e de fé para os seus, era confirmado pelos vizinhos, nas escolas, nos múltiplos ambientes e pelos meios de comunicação convencionais, como o rádio. A função da Igreja era simplesmente cooperar com os pais através do catecismo, no qual se sistematizava o que se aprendia em casa, para se fazer a primeira comunhão. Alguns, em menor quantidade, também a crisma.
Essa nova realidade, de forma breve acima introduzida, vem levando a nossa Igreja Católica Apostólica de Comunhão Romana a resgatar, dos primeiros séculos da Igreja, o Catecumenato. Este significa fazer ressoar a Palavra de Deus que chama ao seguimento de Jesus Cristo na Comunidade da Igreja e no amor-serviço aos empobrecidos. Trata-se, pois, da iniciação na vida cristã em comunidade e não uma mera transmissão de doutrina, de catecismo. Sejamos realistas: aonde estão nossos filhos que passaram no mínimo dois anos na catequese e fizeram da recepção da primeira confissão e comunhão a “formatura de primeiro grau” em religião, e nada mais? E, logo-logo, sumiram da Igreja. Isso vem implicando, numa nova pedagogia catequético-litúrgica que substitui as aulas de religião, até então dadas pelas catequistas, por novos passos de inclusão eclesial de pais e filhos no caminho de Jesus.
O Catecumenato implica, pois, do ponto de vista moral e prático, que os pais desejosos da vida cristã para seus filhos sejam os primeiros a se fazer presente com os seus na vida da comunidade, especialmente da liturgia semanal – seja missa ou celebração presidida por leigos e leigas – e, em algum Círculo Bíblico, pastoral ou movimento de sua comunidade. Assim, pais e filhos, adultos, crianças e jovens, caminham na fé. E progressivamente as novas gerações vão fazendo também a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo e com os irmãos e irmãs da comunidade a que pertencem. Isso é o fundamental. E a comunidade, por sua parte, se engaja nesse processo catecumenal dispensando às famílias uma acolhida amorosa, promovendo a sua integração e dando especial atenção aos catecúmenos que trazem.
E mais. Criam, de acordo com a realidade dos fiéis e dos catecúmenos, momentos específicos de convivência fraternal orante e de aprofundamento dos aspectos da fé comum que nos une. Pelo menos, uma vez por mês, as famílias catecumenais são chamadas para esses momentos evangelizadores e catequizadores. E, quando discerne o amadurecimento dos catecúmenos, bem como a sua maturidade na vivência eclesial da fé, dá-se início aos ritos, propriamente ditos da iniciação cristã. E isso é feito de acordo com o calendário litúrgico: valoriza-se os tempos do Advento e Natal como hora da acolhida e inclusão comunitárias. Já nas trinta e duas semanas do Tempo Comum se processa a crescente formação inicial para o discipulado de Jesus. No tempo quaresmal são feitos os rituais de escrutínios em que os catecúmenos devem manifestar publicamente sua decisão e disposição para o seguimento de Jesus na vida comunitária. Na Semana Santa e Páscoa. se recebem os Sacramentos da Iniciação Cristã em Comunidade: Batismo, Penitência, Eucaristia e Crisma. No tempo Pascal faz-se a Mistagogia: aprofundamento da fé indo ao Mistério!
Ora, tudo isso exige conversão pessoal permanente de todos à Jesus Cristo e conversão pastoral da Igreja para o acolhimento integrador e a formação que una fé e vida, oração e ação, intimidade pessoal orante e vivência comunitária, vida eclesial e amor-serviço aos irmãos e irmãs empobrecidos, inclusive o compromisso com a justiça! Vamos fazer o caminho!?
Medoro, irmão menor-padre pecador