Transcrevemos a seguir, na íntegra, a mensagem de todos os bispos do nosso estado sobre a forte crise política .E logo a seguir as pistas de ação pastoral para nossa Igreja.

Mensagem dos Bispos do Estado do Rio de Janeiro ao Povo Fluminense

Importa que Ele reine! (1Cor 15,25)

Nós, Bispos do Regional Leste 1 (Estado do Rio de Janeiro) manifestamos nossa solidariedade com o povo sofrido pela situação gravíssima de desagregação pela qual passa o nosso Estado.

Reconhecemos que vivemos situações peculiares, marcadas pela aguda perda do sentido do bem comum, cujo sinal mais gritante é o abandono do povo, em especial os mais pobres.

Lamentamos as marcas da corrupção em suas variadas formas e extensão. Lembramos que o dinheiro por ela usurpado, está manchado pelo sangue e pelas lágrimas das vítimas desta calamitosa realidade.

Trabalhemos pela transformação dessa realidade que nos entristece. O mal só terá a última palavra se nos deixarmos vencer pela desesperança, descrença e desunião. Como nos disse o Papa Francisco: “Não deixemos que nos roubem a esperança!

Reiteramos o nosso desejo de que as lágrimas sejam enxugadas, as sequelas sejam superadas e as causas sejam enfrentadas a fim de que não se repitam mais. Clamamos por justiça, pelo fim da impunidade, pela efetiva valorização da ética e da dignidade da pessoa, num clima de fraternidade e honestidade em prol do bem comum.

Só uma cidadania atuante e vigilante poderá romper os tentáculos das máfias incrustadas no poder, edificando uma sociedade mais justa e solidária.

Conclamamos o nosso povo a construir um projeto político de nação que faça avançar a democracia, garantindo os direitos sociais de todos.

Lembramos que, no próximo ano, viveremos mais um processo eleitoral. Aproveitemos, portanto, este tempo de perplexidade e desafios para refletirmos ainda mais sobre nossa responsabilidade cidadã. Convidamos a todos para discernir a escolha dos candidatos e acompanhar os que vierem a ser eleitos.

Que Cristo, o Redentor, olhe com misericórdia para todo o povo, abrindo seus braços generosos, unindo-nos e encorajando-nos a testemunhar e servir o seu Reino de amor, justiça e paz.

 

Pistas de Ação Pastoral

JOVENS

 Ir ao encontro das juventudes, investir na sua acolhida, valorizando o Setor Juventude, motivando as diversas formas de organização eclesial, especialmente as pequenas comunidades, incentivando a atuação dos jovens para favorecer o protagonismo e a ação consciente dos mesmos na Igreja e na sociedade.

 Fomentar a assessoria dos jovens, inclusive, através dos meios de comunicação, com pessoas que se identificam com a causa da juventude, sem ofuscar o protagonismo juvenil. Divulgar os cursos já promovidos pela CNBB para juventude e assessoria. Criar modalidades formativas para assessores da juventude em nível regional e diocesano.

LEIGOS E LEIGAS

 Promover a formação integral do laicato, com base na DSI, para favorecer uma correta articulação entre fé e cidadania, a fim de que atue de modo consciente e autônomo na sociedade.

 Com base na eclesiologia conciliar do povo de Deus, conscientizar os ministros ordenados e os próprios leigos a respeito da vocação e da missão do laicato, tanto na Igreja quanto na sociedade, de modo que os leigos possam atuar com justa liberdade, comunhão e responsabilidade madura no contexto eclesial.

 Reconhecendo, com gratidão e esperança, a atuação dos leigos na Igreja e na sociedade ao longo da história da Igreja, estimular a atuação dos leigos, sujeitos eclesiais, através dos ministérios e diversas formas de serviço cristão ao mundo.

 Encorajar o testemunho e atuação dos fiéis nos areópagos atuais, de modo especial na família, no trabalho, na política, no controle social, nos meios de comunicação etc.

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

 Na dinâmica da iniciação à vida cristã, não podemos dar a fé por suposta, nem deve ser imposta, mas precisa ser proposta para suscitar uma reposta! Faz-se necessária uma tomada de consciência da realidade, na qual o sujeito está inserido.

 Fomentar a metodologia de Iniciação à vida Cristã, com inspiração catecumenal, de forma que não se restrinja à preparação para a recepção dos sacramentos.

 Proporcionar que a iniciação à vida cristã, em todas as suas etapas, seja marcada pelo querigma, de tal maneira que o sujeito faça a experiência de Jesus Cristo, proporcionando-lhe uma clara incidência na vida da Igreja e da sociedade.

 Oferecer uma catequese vivencial, que responda aos desafios do contexto atual de mudança de época, gerando uma fé madura e operativa.

 Recordar a responsabilidade de toda a comunidade na formação de seus membros, com especial atenção para os que exercem o ministério de catequistas.

Medoro, irmão menor-padre pecador