Um grupo de fieis leigas na Vila dos Pilões teve a iniciativa de pegar a pequenina imagem do Sagrado Coração de Jesus e de sair de casa em casa, a cada dia, num gesto missionário inédito, rezando sua Ladainha e o Terço de Nossa Senhora Aparecida – padroeira do lugar. O mês de junho na Igreja Católica é a Ele dedicado. E a acolhida por parte das famílias foi a mais cordial possível, para não dizer de admirável piedade, segundo testemunhos. E não ficou ai. As famílias foram convidadas a um sorteio bíblico-catequético na Missa semanal. Dupla missão: rezar com todos e despertar os corações para a Palavra de Deus. E tudo isso numa comunidade marcadamente plural do ponto de vista do pertencimento religioso. Nas suas pequenas 16 ruas podem ser encontrados quase 30 templos religiosos diferentes: além da Igreja Católica, muitas Igrejas neopentecostais – popularmente chamadas de evangélicas -, centro espírita e terreiro de umbanda. Fizeram um verdadeiro Apostolado da Oração!

            Essa rica experiência evangelizadora e orante, de iniciativa laical popular, provoca-nos a uma reflexão séria sobre a missionariedade de toda a Igreja. A Igreja existe no ato da missão. Dai a insistência do Papa Francisco para sermos “uma Igreja em saída”. Quem participa de uma Missa fica inevitavelmente incumbido de uma missão. Por isso que a Ceia Eucarística instituída por Jesus veio a ser chamada de Missa. De fato, na Última Ceia Jesus ao consagrar o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue, levantou-se da mesa, despiu-se do manto, tomou agua e tolha e pôs-se a lavar os pés dos discípulos – o que era o serviço mais humilde de um escravo – e disse-lhes: “Dei-vos o exemplo para que façais o mesmo. Sereis meus discípulos na condição de compreenderdes isso e o praticardes” (Jo 13,1-17). Todo cristão ou é um missionário ou não é cristão, mesmo que seja muito religioso. O gesto das senhoras zeladoras dos Pilões testemunha esse carisma comum a todos nós. Não se exige títulos ou posição social, mas generosidade testemunhal de Jesus.

            A missão centrada no Sagrado Coração de Jesus implica igual e necessariamente o exercício da misericórdia. Pois foram os gestos de cuidado da vida de Jesus, a ponto de dar a sua vida na cruz pelos pecadores, pobres, enfermos e sofredores que revelaram o seu Coração e o Coração de Deus. Eis porque a Igreja e todos os que se orgulham de ostentar o nome de cristão são desafiados em nosso tempo à pastoral da misericórdia social. Esta implica no cuidado imediato da vida: dar o pão, agasalhar, abrigar, curar e socorrer a todos os necessitados. Implica também na promoção humana: ajudar os indivíduos a crescer como pessoas e se esforçarem par ganhar o próprio sustento e superar suas situações inumanas. Implica ainda na conscientização e mobilização para o exercício da cidadania, na formação de interventores sociais para erradicar as causas dos males que pedem nosso socorro imediato. Implica enfim e, sobretudo, jogar-se confiante no Coração de Jesus para, por Ele ser perdoado e salvo. E a partir dai com a graça e o modelo do Sagrado Coração ter o próprio coração voltado para o perdão, a oração e o cuidado dos irmãos.

            É tempo de misericórdia! É tempo de missão! É tempo de coração!

Medoro, irmão menor-padre pecador