
Irmãs e Irmãos amados. Advento é uma palavra que vem do latim e significa vinda, chegada. Vamos, pois, celebrar, por um lado, o aniversário do nascimento de Jesus, mesmo sendo uma convenção, a data fixada, e celebremos mais ainda a sua segunda vinda na Glória. A vida cristã é uma vida de espera. De insatisfação por um mundo alterado pelo mal e pela desgraça, mas, também, para os que são lúcidos, de consciência da insuficiência pessoal. De fato, este desejo duma outra coisa, de novo, de diferente, refere-se não somente aos que creem. Investe-se em tantas coisas, nas ciências e técnicas para mudar o mundo e a vida, no desejo, tantas vezes perverso, de ser mais: de ser mais rico, mais importante, mais considerado, mais escutado.
Nós, que temos fé, esperamos o «Reino de Deus», quer dizer, a reunião dos homens e mulheres na unidade do amor. É o que significa a última vinda do Cristo. O que implica, com certeza, na vinda do Cristo que, desde o nosso primeiro dia, está a caminho em nossas vidas pessoais. O Cristo vem para nós e a nossa espera ativa é a nossa maneira de ir para Ele.
No fundo, por um mês apenas, vamos concentrar nossa atenção numa realidade que é permanente, em algo que nos deve habitar todos os dias. Estamos numa espécie de entretempo: o Cristo já veio entre nós e a sua vinda, há dois mil anos, trouxe à plena luz a presença do «Verbo» que está em ação desde sempre. Já aí e já tendo vindo, o Cristo completará e cumprirá a sua união com todo este universo que veio dele, mas que só poderá se realizar com a conivência das liberdades humanas. É a esta conivência que nós, pessoas de fé, temos de dar nascimento: sem violência, em paz!
Entemos assim, porque começa neste primeiro domingo do Advento, 30, o Ano da Paz. Será um momento para ajudar na superação da violência e despertar para a convivência mais respeitosa e fraterna entre as pessoas. Aprovado por unanimidade durante a 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ocorrida de 30 de abril a 9 de maio de 2014, o período de reflexões, orações e ações sociais se estenderá até o Natal de 2015. Compartilhamos a palavra da CNBB nesse momento inicial
O arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente da CNBB, dom José Belisário da Silva, afirma que o Ano da Paz é um convite para reflexão sobre os motivos de tantos acontecimentos violentos. “Está na hora da sociedade brasileira dar passos no sentido de buscar uma harmonia maior no relacionamento humano. Os nossos relacionamentos estão muito degastados”, ressalta.
Dom Belisário manifestou a preocupação da entidade com o nível de violência da sociedade brasileira. Para ele, é uma questão complexa que envolve herança histórica, injustiça estrutura, tráfico de drogas e exclusão “de uma camada grande da sociedade”. “Isso tudo tem colaborado para termos essa sociedade tão violenta que a gente está”, disse.
De acordo com os últimos dados do Mapa da Violência, mais de 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012. Os jovens são os principais afetados neste contexto, somando mais de 27 mil vítimas naquele ano.
O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, afirmou que as relações mais próximas, na atualidade, encontram dificuldade de manterem-se vivas e que há uma violência generalizada. “Violência que se manifesta na forma da morte de pessoas, na falta de ética na gestão da coisa pública, na impunidade. A violência, a falta de paz, provém do desprezo aos valores da família, da escola na formação do cidadão, do desprezo da vida simples”, explicou. (Fonte: Boletim da CNBB).
Nessa perspectiva celebramos em nossa paróquia a abertura do Ano da Paz, congregando as famílias para rezar pela paz a partir das famílias. Momentos fortes em cada comunidade em que as famílias foram concitadas a dar o primeiro passo participando da Novena Missionária do Natal em Família.
Senhor, fazei-nos instrumentos de vossa paz!
Medoro, irmão menor – padre pecador.