
As liturgias católicas no tempo de Advento, de esperança pela vinda do Senhor Jesus, reúne profecias, evangelhos e outros escritos do Novo Testamento que desperta, recorda e engaja os cristãos e todas as pessoas de boa vontade no cuidado, defesa, proteção e promoção da vida. Afinal, celebrar o Natal e proclamar a segunda vinda do Senhor Jesus implica encarnar a razão de suas duas vindas em nossa história, como Ele mesmo proclamou: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).
Esse apelo do Advento ganha relevância ainda maior no contexto hodierno de uma verdadeira cultura da morte. Para não extrapolar as fronteiras do Brasil – o que nos levaria muito longe – denunciamos com nossos bispos, nas últimas semanas, as iniciativas do governo, do congresso nacional e do judiciário contra a vida do nosso pobre povo pobre. Por isso, uma vez mais, a Igreja, vem a publico contra o aborto com a nota da CNBB reafirmando a sua posição de “defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural”. A nota foi publicada no dia 1º de dezembro após a decisão de terça-feira, 29, da primeira turma do Supremo Tribunal Federal de descriminalizar o aborto até o terceiro mês de gestação. O entendimento favorável ao aborto se aplica a um caso específico julgado pelos ministros. Confira a íntegra da nota:
“Propus a vida e a morte; escolhe, pois, a vida” (cf. Dt. 30,19).
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, manifesta sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural (cf. Constituição Federal, art. 1°, III; 3°, IV e 5°, caput).
A CNBB respeita e defende a autonomia dos Poderes da República. Reconhece a importância fundamental que o Supremo Tribunal Federal (STF) desempenha na guarda da Constituição da República, particularmente no momento difícil que atravessa a nação brasileira. Discorda, contudo, da forma com que o aborto foi tratado num julgamento de Habeas Corpus, no STF.
Reafirmamos nossa incondicional posição em defesa da vida humana, condenando toda e qualquer tentativa de liberação e descriminalização da prática do aborto.
Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção.
Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe, interceda por nós, particularmente pelos nascituros”.
Na mesma perspectiva do Advento pela vida deploramos e condenamos a violência fatal com requintes de crueldade contra a Ministra da Comunhão Zélia Machado, 73 anos, do distrito de Afonso Arinos, no município de Levi Gasparian. Uma verdadeira guardiã e promotora da paz, cristã-cidadã de consenso de toda comunidade. Nossa solidariedade orante e fraterna com a família e a comunidade enlutada. Possa a pascoa da Zélia enjangar-nos todos na luta pela vida.
Enfim, registramos nosso veemente repúdio ao narcotráfico que, na última semana, fez mais duas vítimas entre nossos jovens da periferia: Franck Barbosa de Paula, no Habitat, e Alef Silva, no Purys. A nossa solidariedade às suas famílias, como a tantas outras, implica num compromisso mais efetivo com a defesa dos direitos humanos e sociais, com a promoção da justiça e com a construção da cultura da paz. Já é hora, ou melhor já passa da hora, dos cristãos e das Igrejas Cristãs abraçarem essa luta por fidelidade a Jesus Cristo que nasceu pobre e morreu entre dois bandidos para por fim à miséria e à violência.
Medoro, irmão menor-padre pecador