
No Dia do Professor agradecemos, como sociedade e Igreja, tão abnegado serviço, tão pouco valorizado. Saudamos as iniciativas da Secretaria de Educação e as parcerias por educação mais inclusiva, particularmente a Oficina de Nazaré. E almejamos a integração de mais e mais professores na Pastoral da Educação, com sua mística: “Professor, crucifixo vivo na sala de aula”.
A Pastoral da Educação é ação evangelizadora da Igreja no mundo da educação com os objetivos dea) Humanizar e personalizar cada pessoa em toda sua trajetória de vida; b) Desenvolver todas as dimensões da pessoa na relação consigo, com os outros, com a natureza e com Deus; c) Desenvolver e harmonizar todas as potencialidades humanas, colocando-as a serviço do bem comum e do desenvolvimento integral de todos: cidadania em sentido amplo.
Ao se falar em Pastoral da Educação é importante esclarecer que, por “mundo da educação”, se entende todas as instâncias, agências, os MCS de todos os tipos, as escolas, as universidades e demais instituições sociais, as estruturas e processos, a prática educativa e, prioritariamente, as pessoas nelas envolvidas. Em nosso início ainda modesto, embora determinado, priorizamos a escola como um dos campos mais importantes do mundo da educação e como alvo privilegiado da nossa ação evangelizadora.
Assim, buscamos: a) A defesa da educação para todos, assegurando sua melhor qualidade; b) Uma escola pública democratizada em seus processos e acesso; c) Ações concretas de educação para os que ficaram excluídos do sistema escolar; d) Formação inicial e continuada dos educadores e seu desenvolvimento profissional; e) Uma gestão participativa do financiamento público da educação; f) Uma significativa relação da escola com a sociedade e com os movimentos sociais organizados; g) Um planejamento pedagógico participativo; h) A indispensável convocação dos educadores para a necessária coerência com a proposta libertadora de Jesus Cristo.
A partir do Concílio Vaticano II – referência obrigatória de toda missão da Igreja, já no seus 50 anos de convocação pelo Papa João 23 – as conferências episcopais da América Latina vem dando destaque a este campo prioritário da ação evangelizadora. Já na CELAM, em Medellín (1968), se propunha “uma educação mais conforme com o desenvolvimento integral da pessoa”. E os Bispos a denominaram de Educação Libertadora, isto é, “aquela que converte o educando em sujeito do seu próprio desenvolvimento”.
Dez anos depois, em Puebla (1979), nossos bispos aplicam à América Latina a exortação apostólica pós-sinodal “Evangelii Nuntiandi”, de Paulo VI, (1975), e propõe a Educação Evangelizadora. Depois de afirmar que “a Educação é parte integrante da missão evangelizadora da Igreja”, Puebla completa Medellín, dizendo que a educação deve “converter o educando em sujeito não apenas do seu próprio desenvolvimento, mas também posto a serviço do desenvolvimento da comunidade”. Estas duas conferências abrem novos e decisivos rumos para a educação, “meio-chave para libertar os povos de toda a escravidão e fazê-los ascender de condições menos humanas para mais humanas, levando em conta que o homem e a mulher são os responsáveis e os ar tífices principais por seu êxito ou fracasso”.
Passada uma década, o CELAM em São Domingos (1992) destaca: “O mestre cristão deve ser considerado como sujeito eclesial que evangeliza, que catequiza e educa cristãmente. Tem uma identidade definida na comunidade eclesial. Seu papel deve ser reconhecido na Igreja”. É à luz dessa última conferência, que a nossa Diocese dá os primeiros passos por uma Pastoral da Educação, depois de um qualificado serviço, durante anos, através da Pastoral do Ensino Religioso tão solidamente implantada pelo Padre Sebastião da Silva Pereira e Irmã Vilda Contijo, MJC.
Nos últimos dois anos a pastoral renasce em Três Rios motivada pela última Conferência do CELAM em Aparecida (2007). Sublinhamos alguns itens do Documento de Aparecida: “As práticas educacionais aparecem centradas prioritariamente na aquisição de conhecimentos e habilidades e denotam claro reducionismo antropológico, visto que concebem a educação preponderantemente em função da produção, da competitividade e do mercado. Por outro lado, com frequência, elas propiciam a inclusão de fatores contrários à vida, à família e a uma sadia sexualidade” (DA 328).9...) “A Igreja é chamada a promover em suas escolas uma educação centrada na pessoa humana que é capaz de viver na comunidade oferecendo a est a o bem que a Igreja possui. Diante do fato de que muitos se encontram excluídos, a Igreja deverá estimular uma educação de qualidade para todos, formal e não-formal, especialmente para os mais pobres. Educação que ofereça às crianças, aos jovens e aos adultos o encontro com os valores culturais do próprio país, descobrindo ou integrando neles a dimensão religiosa e transcendente. Para isso, necessitamos de uma pastoral da Educação que seja dinâmica e acompanhe os processos educativos, que seja voz que legitime e salvaguarde a liberdade de Educação diante do Estado e direito a uma Educação de qualidade para os mais despossuídos (DA 334).
O Documento de Aparecida é um grande convite aos educadores cristãos para que assumam seu protagonismo de leigos como discípulos missionários na evangelização do mundo da educação. Assim, abençoamos com afeto a todos os profissionais da educação nesse seu dia, agradecidos pelo empenho pessoal. Aos membros da Pastoral da Educação renovamos nosso apreço por seu testemunho de Jesus Cristo. E à Secretaria de Educação reiteramos nossas felicitações e os votos de que as iniciativas recentes sejam sinal de tempos novos.
Medoro de Oliveira