Através de matéria publicada no diário uruguaio La República – a imprensa do nosso país infelizmente não tratou do assunto – soube que o Papa fez sua alocução de início de ano para os representantes de 179 países creditados junto a Santa Sé.

Em seu pronunciamento, Bento XVI, fez um resumo de suas principais preocupações, entre elas as ameaças a paz mundial. Nesse ponto destacou a situação vivida pela Síria.

Especificamente sobre a Síria afirmou: “Que as armas sejam depostas e prevaleça um diálogo construtivo” pediu Bento XVI um dia após a proposta do presidente da Síria, Bashar Al Assad, por um diálogo nacional como forma de por fim ao conflito que já dura 21 meses. Segundo o Papa, o conflito na Síria, caso continue, não conhecerá vencedores e todos serão derrotados, já que herdarão um país em ruínas.

“Diante disso, compete as autoridades civis e políticas a grave responsabilidade de trabalhar pela paz. São elas que tem a obrigação de solucionar os numerosos conflitos que seguem ensangüentando a humanidade, principalmente nessa região privilegiada pelo desígnio de Deus que é o Oriente Médio”, afirmou o Papa.

Bento XVI também demonstrou sua preocupação com a paz mundial em sua conta de twiter, onde pediu aos católicos que rezassem pelo sucesso do diálogo proposto pelo presidente sírio, e já recusado pela oposição. Em sua alocução para os embaixadores ele também mencionou a preocupação com outros conflitos e tensões que assolam o mundo, como as situações vividas no Iraque, Egito e Libano.

Bento XVI, ainda manifestou sua preocupação e solidariedade com os países da África subsahariana e do Chifre da Africa, , citando nominalmente a República Democrática do Congo, Mali e Nigéria. “Temos que buscar a construção da paz, sobretudo onde permanecem abertas as feridas causadas pela praga da guerra com suas graves conseqüências humanitárias” disse ele, acrescentando duras críticas ao fanatismo religioso..

Prosseguindo em sua reflexão, Bento XVI, recordou que a educação é uma via privilegiada para a construção da paz, e falou, repetindo sua análise de final de ano, sobre a crueldade da atual crise financeira e econômica que assola boa parte do mundo.

Nesse trecho, afirmou que necessitamos encontrar um novo sentido para o trabalho, que traga benefícios mais proporcionais para todos. Voltando, mais uma vez, ao tema, o Papa, denunciou o preocupante aumento das desigualdades sociais.

“Se os indicadores financeiros constituem grave preocupação, as crescentes diferenças entre um minúsculo número de pessoas cada vez mais ricas e um grande número irremediavelmente mais pobre, deveria despertar ainda mais preocupação” afirmou o Papa. 

“Não podemos nos resignar diante das propostas de prejudicar-se o bem estar social em beneficio do mundo das finanças. Temos que batalhar pelo bem estar social com a mesma intensidade com que se tem lutado contra os problemas vividos pelo mercado” Nessa “luta” preconizada pelo Papa, ele destacou a diminuição do fosso entre ricos e pobres nos países da África, Ásia e América Latina e defendeu que os países em desenvolvimento invistam mais em educação.

“Isto significa ajudá-los a vencer a pobreza e as enfermidades, assim como estabelecer sistemas de direitos equitativos e respeitosos da dignidade humana” afirmou o Pontifice, acrescentando que “para estabelecer a justiça, não bastam sistemas econômicos, ainda que necessários. A justiça somente se concretiza com pessoas justas e por isso é necessário a defesa dos valores éticos.

“Construir a paz significa, portanto, educar as pessoas no combate a corrupção, ao tráfico de drogas e evitar as divisões e tensões que ameaçam debilitar a sociedade, impedindo o desenvolvimento e a convivências pacífica” finalizou.

Esse discurso do Papa é alentador. Somado a seu pronunciamento do final do ano passado, paro o Dia Mundial da Paz, em que resgatou João XXIII e o Vaticano II, nos faz lembrar que os cristãos católicos tem obrigação de lutar por um mundo de justiça. Nossa Igreja, através dos Evangelhos, do estabelecido pelo Vaticano II, pelos pronunciamentos do Papa e das Conferências Episcopais, tem uma direção, objetivos estabelecidos. Cá entre nós, um dos caminhos que nos levam na direção do cumprimento dessa nossa obrigação de cristãos passa necessariamente pela questão da fé e da política. 2013 surge como um ano promissor nesse sentido. Que as práticas dos próximos dias confirmem esse otimismo.

Medoro de Oliveira