
“Formar os jovens de maneira gradual para a ação
sociopolítica e para as mudanças de estruturas [...].” (Puebla 1196)
Católicos de todo o Brasil estão se dedicando a preparação da Jornada Mundial da Juventude, que será em julho do ano que vem, no Rio de Janeiro. Nesse domingo todas as dioceses do país promovem maratonas preparatórias. O lema é ”Bote fé na vida”! As dioceses do Estado do Rio, representada por alguns de seus bispos, padres, religiosos e leigos, estiveram reunidas em Valença, ao longo dessa semana para refletir o panorama da juventude e identificar desafios e perspectivas à sua missão evangelizadora.
Há duas maneiras de ver a JMJ-RIO 2013.
Ela pode ser apenas mais um grande encontro da juventude católica como em Madrid, em 2011, ou, num pais em acelerado processo de secularização (em que as pessoas se declaram mais e mais sem religião) e se assiste igualmente um êxodo dos jovens de famílias de baixa renda para as seitas neo-pentecostais, realizar um encontro de acordo com a visão defendida pela Pastoral da Juventude do Brasil.
A PJ, como essa Pastoral é mais conhecida, quer valorizar, sobretudo, o processo da jornada. Para a juventude mais participativa da Igreja católica no Brasil, a JMJ-RIO 2013 deve ser um ponto de partida para nuclear novos grupos de base e engajar a juventude em seus seis grandes projetos em curso: Formação de Lideranças e Assessores - Caminhos de Esperança, Mística e Construção, A Juventude quer Viver, Teias da Comunicação, Ajuri - Conhecendo a Realidade Indígena, Quilombola, Ribeirinha e Rural, e Tecendo Relações.
Esses projetos foram re-afirmados na Assembléia Nacional da PJ em Imperatriz, no Maranhão, em janeiro deste ano. O objetivo é que nos próximos seis anos respondam à urgência da Evangelização. Para isso, levam em consideração as várias juventudes do país; especialmente as juventudes do meio popular, estudantil e universitária. E também as suas múltiplas situações sociais quase sempre hostis de violência, de drogas, de abuso sexual, de falta de oportunidade de estudo e trabalho, bem como as diferenças culturais das juventudes em situação de minoria.
O Evangelho deve ser uma força de vida e esperança para as juventudes e, não um mero artifício de mobilização sem maiores compromissos com o que ele propõe. A evangelização busca a conversão dos corações à pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto de vida plena para todos!
Assim, a JMJ-RIO 2013, torna-se para nossas igrejas e comunidades um motivo forte para voltarmos nossos corações e nossas ações para os nossos jovens. A PJ não pode por isso mesmo se perder na realização de eventos massivos ou mega-shows de louvor para ajuntar jovens, encher igrejas e pregar apenas a fé em Jesus.
Seu desafio e a sua graça é propor aos seus Grupos de Base a fé de Jesus. Como ele vivia sua relação orante com o Pai e a traduzia em gestos de solidariedade libertadora com os empobrecidos do seu tempo. Isso implica por um lado uma formação bíblica consistente e uma mística conseqüente. Ao mesmo tempo também exige uma leitura atenta da realidade dos jovens e a busca de projetos que respondam aos desafios apresentados pela vida.
Entre os desafios que se colocam para a vida em plenitude de nossos jovens, cito o drama da prostituição da adolescência, com conseqüências terríveis. A contaminação com HIV que já atinge a 45% e a gravidez precoce que já atinge, por exemplo, a 80% de meninas até 17 anos, em uma de nossas comunidades. O extermínio das forças vitais com o uso e tráfico das drogas, que provoca grande evasão escolar e especialmente a comercialização do crack, que se torna a maior empregadora dos adolescentes e jovens, dando-lhes poder, por exemplo, de adquirir uma motocicleta no sexto mês uso/tráfico. A escassez de universidades públicas. Isso impede o nascimento de utopias e a longo prazo pode comprometer o equilíbrio social da cidade em franco desenvolvimento, com um grande operariado dirigido por empresários e técnicos de fora, sem compromisso com a realidade local. Tudo isso sem, citar o clima de violência e insegurança, não obstante algumas boas iniciativas. E também a falta de uma unidade prisional local (alternativa às casa de custódia e penitenciárias) para recuperação de nossos jovens infratores e apenados. Poderia acrescentar uma série de outros problemas, como por exemplo, a falta de opções de lazer.
É hora de se investir decididamente nas juventudes! A JMJ-RIO 2013 deve ser, portanto, como quer a PJ: um ponto de partida para uma evangelização de fato comprometida com a fé de Jesus Cristo!
Medoro de Oliveira