
Com o tema “Vida e Missão: lançar as redes em águas mais profundas”, a Igreja em todo o Brasil realizou do dia 1º até hoje a Semana Nacional da Vida. E comemora amanhã, 8 de outubro, o Dia do Nascituro. Uma homenagem ao novo ser humano, à criança que ainda vive dentro da barriga da mãe. A data celebra o direito à proteção de sua vida e saúde, à alimentação, ao respeito e a um nascimento sadio. O objetivo é suscitar nas consciências, nas famílias e na sociedade, o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos.
“A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB). E essa data de 8 de outubro, o Dia pelo direito de nascer, foi escolhida por ser próxima ao Dia da Padroeira do Brasil (12 de outubro), cujo título, ao evocar a concepção, lembra o fruto correspondente: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus que se fez homem, Jesus Cristo, nascituro em seu seio, que faz João Batista exultar de alegria no ventre de Isabel (Lc 1,39-45).
A propósito, diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro. A esse respeito o Papa Francisco disse que “causa horror o simples pensamento de que existam crianças que jamais poderão ver a luz do dia, vítimas do aborto”. E isso ele afirma em meio a um parágrafo na qual chama a atenção para “as crianças que passam fome, são forçadas a se tornarem saldados, morrem em conflitos ou são vitimas do trafico universal de pessoas”.
A defesa da vida por nascer está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano e "supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento". "A Igreja quer cuidar com predileção das crianças por nascer, que são as mais indefesas e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a sua dignidade humana para fazer com elas o que se queira, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir", diz o Papa.
Para Francisco o aborto se inscreve dentro de uma crescente “cultura do descarte”. Ele afirma: “Infelizmente, objetos de descarte não são apenas os alimentos ou os bens supérfluos, mas muitas vezes os próprios seres humanos”. Dai a sua afirmação de que "não se deve esperar que a Igreja Católica mude a sua posição" sobre o aborto, adiantando que esta questão "não está sujeita a supostas reformas ou modernizações". "Não é progressista pretender resolver os problemas eliminando uma vida humana", afirma o pontífice na exortação apostólica Evangelii Gaudium.
O Papa reconhece, no entanto, que pouco tem sido feito para "acompanhar as mulheres que se encontram em situações muito duras, onde o aborto se apresenta como uma rápida solução para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce dentro delas surgiu como fruto de uma violação ou num contexto de extrema pobreza". "Quem pode deixar de compreender essas situações de tanta dor?", pergunta.
Aqui se entende o Princípio Misericórdia do Papa Francisco de dar permissão a todos os padres para perdoar formalmente as mulheres que tiveram abortos e buscarem perdão durante o Ano Santo da Igreja Católica, que vai de dezembro de 2015 a novembro de 2016. A medida é o mais recente passo do Papa para promover uma igreja mais aberta e inclusiva. Ele descreveu o “calvário existencial e moral” enfrentado por mulheres que terminaram sua gravidez, e disse que conheceu “tantas mulheres que carregam em seus corações a cicatriz dessa decisão angustiante e dolorosa”.
Nascituro, o que está para nascer, é o que todos fomos um dia, no útero de nossa mãe, onde teve início nossa existência, graças a Deus. Comprometamo-nos todos com a defesa, cuidado e promoção da vida, da concepção ao fim natural. Lutemos para que ao longo dos anos de cada vida, a mesma vida seja bonita, feliz e fraterna para todos! Cresçamos igualmente na misericórdia para com as mães que amargam a dor de terem um dia abortado.
Medoro, irmão menor-padre pecador