A Festa de São Sebastião, no próximo dia 20, inaugura em nossa cidade as festividades jubilares dos 90 anos da primeira paróquia trirriense, sob o título desse glorioso mártir. São Sebastião é também o padroeiro de nossa Diocese de Valença, que celebra em 25 de março, também, os 90 anos de sua criação. Acresce a essas efemérides jubilares, os 50 anos de criação da nossa Paróquia de São José Operário. Tempo de louvor, ação de graças e de reparação social dos pecados do passado e do presente. Na série dos artigos dessa coluna, ao longo deste mês, vamos fazer memória da história da caminhada dessas instituições eclesiais, comunidades de seguidores de Jesus Cristo a serviço do Evangelho e da vida.

            A Diocese de Valença foi criada pelo Papa Pio Onze, que considerou amadurecida a caminhada de fé e a comunhão dos fiéis das comunidades dos municípios de Valença, Vassouras, Paraiba do Sul, Sapucaia, Rio das Flores, Carmo e Sumidouro. Esses dois últimos municípios foram posteriormente desmembrados para a nova Diocese de Nova Friburgo. Na ocasião, Três Rios, Levi Gasparian, Miguel Pereira, Pati do Alferes, ainda não eram emancipados politicamente. Foi em 25 de março que erigiu a diocese desmembrando suas comunidades das arquidioceses do Rio de Janeiro e Niterói. Em 1º de maio nomeou o primeiro bispo, Dom André Arcoverde, que veio tomar posse em 8 de dezembro do mesmo ano. Esse período de instalação coube a Mons Bastos, pároco de Conservatória, nomeado Administrador Apostólico.

            O pastoreio do primeiro bispo deixou a sua marca de grande artífice da unidade. Em pouco tempo visitou todas as paróquias, confirmou as irmandades de leigos, bem como acolheu as expressões populares de fé como as folias de reis, os puxadores de ladainha, os rezadores de terço e as benzedeiras. Incrementou as associações religiosas do Apostolado da Oração e das Pias Filhas de Maria. Valorizou e praticou muito as visitas domiciliares. Criou novas paróquias, entre elas a nossa de São Sebastião de Entre Rios e ordenou os três primeiros padres. Priorizou, no campo cultural, a educação católica criando os primeiros educandários com ensino médio de todo o interior do estado, confiados a padres e a congregações religiosas que buscou pra esse fim. No campo da caridade social fundou os primeiros asilos e orfanatos.

            Dom Renato Pontes o sucedeu por apenas dois, vindo a falecer precocemente. Foi sucedido por Dom Rodolpho Penna, que teve como prioridade a catequese de crianças e jovens. Implantou a catequese paroquial e criou para esse fim as primeiras bibliotecas infanto-juvenis. Buscou novas parcerias e congregações religiosas, criando colégios em Paraíba do Sul, Pati do Alferes e Sumidouro. Tinha um amor prioritário pelos mais pobres chegando a dispensar uma congregação religiosa que não aceitava pobres e negros entre seus alunos. Implantou as conferências vicentinas, entre as quais a de nossa paróquia completa seus 60 anos. Em nossa cidade, abençoou a origem do Hospital de Clinicas N. S. Conceição. Ainda no tempo da Missa em latim, admitia a tradução da liturgia para o português, antecipando a renovação conciliar.

            O quarto bispo foi Dom José Costa Campos, que participando do Concilio Vaticano II deu um impulso renovador à diocese.Criou por primeiro o Centro Catequético com as Missionárias de Jesus Crucificado.; e com elas percorria a diocese promovendo a renovação catequética e litúrgica. Inovou a comunhão nas mãos. Criou as Missões Populares das religiosas. Incentivou a criação dos Grupos de reflexão, hoje, os Círculos Bíblicos, que em nossa paróquia completam seus 40 anos. Promoveu a criação das Comunidades de Base e da Pastoral da Terra, que, por sua vez, promoveu a criação do primeiro Sindicato de trabalhadores rurais. Aqui, criou a nossa paróquia para a solidariedade com os operários. Implantou novas obras de ação social e promoção humana. Trouxe o Cursilho de Cristandade, o Movimento Familiar Cristão, os Encontros de jovens e outros movimentos de renovação. Implantou os Conselhos Pastorais e de Economia e instaurou as primeiras Assembléias Pastorais.

            Dom Amaury Castanho priorizou os Movimentos Eclesiais acolhendo a Renovação Carismática, o Emaús, o ECC e as Equipes de Nossa Senhora. Implantou as pastorais da criança, da juventude, educação, do ensino religioso familiar, da saúde, da política, operária, do negro e carcerária. Apoiou a ocupação da Fazenda da Conquista pelos sem terra. Ainda a Comissão de Defesa da Vida contra o aborto. No campo administrativo construiu o Centro Diocesano de Formação e o Edifício N S Glória para manutenção do seminário. Criou a Paróquia de Santa Luzia na Vila Isabel. Sucedido por Dom Elias Manning, sexto bispo, a diocese se viu confirmada como rede de comunidades. Criou nessa perspectiva o Secretariado de Pastoral, os jornais Vida Diocesana e o Círculo Bíblico. Apoiou o movimento contra as barragens no Rio Paraíba, as pastorais da mulher marginalizada e da pessoa idosa.  

            Com o atual e recém chegado Dom Nelson Francelino Ferreira queremos ser uma diocese das periferias, missionária que implante um Círculo Bíblico, como uma Igreja em cada rua, e priorize igualmente a caridade social.

Medoro, irmão menor – padre pecador